Início Policial Ameaça de ataques tem relação com transferências, diz SSP

Ameaça de ataques tem relação com transferências, diz SSP

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Um relatório de inteligência da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) do último domingo (3) alerta para a possibilidade de ataques da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) a policiais, ônibus e bancos. Segundo o documento, a ação do grupo criminoso seria uma retaliação à transferência de lideranças da facção para o presídio estadual de Anápolis no início do ano. No final da semana passada houve um motim na unidade por problemas no abastecimento de água, que terminou com 16 detentos feridos e seis encaminhados à delegacia por ameaça e resistência.

De acordo com o documento, a maior parte dos integrantes do PCC estão nas regiões sul e sudeste do Estado. Além da capital, as cidades com maior necessidade de atenção seriam as que tiveram a transferência de detentos faccionados, como Aparecida, Anápolis, Goianésia, Morrinhos, Rio Verde, Catalão, Jataí, Itumbiara e Mineiros. O risco teria sido detectado através de mensagens em redes sociais.

A transferência de detentos faccionados e considerados mais perigosos para presídios estaduais foi uma política adotada pelo Governo de Goiás após o massacre que aconteceu na Colônia Agroindustrial de Regime Semiaberto no primeiro dia do ano, que deixou nove mortos. Integrantes com suspeita de serem lideranças do PCC foram levados para a unidade de Anápolis e os da facção carioca Comando Vermelho (CV) para Formosa.

Além da divisão, esses presídios estaduais possuem um regulamento mais rígido, semelhante ao de penitenciárias federais. No entanto, apesar das medidas de segurança diferenciadas, celulares continuam a entrar na unidade de Anápolis. Na última sexta, primeiro dia de motim, o Grupo de Operações Penitenciárias (Gope) apreendeu dois aparelhos nas celas.

As transferências também provocaram um vazio de lideranças dentro da Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, o maior do Estado. Segundo o diretor geral de Administração Penitenciária (DGAP), coronel Edson Costa, muitos detentos teriam medo de assumir posições de comando negativo nas alas por medo de serem transferidos.

“Nós estamos mexendo na economia deles, e na organização do crime em Goiás”, defende o coronel. Ele diz ver total relação entre as transferências, o motim na unidade de Anápolis e a promessa de novos ataques. Em reportagem de março, o titular do DGAP já alertava sobre a possibilidade de respostas do crime.

Costa reconhece que faccionados tentam articular ações mais planejadas no presídio, com o uso de força externa, mas garante que não seria algo de grande proporção. “Às vezes eles tem articulado alguma coisa de fora, mas é muito incipiente ainda, porque a gente está atento a essas questões.”

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